segunda-feira, 5 de julho de 2021

(In)Gratidão e Revisão de Textos

 

(In)Gratidão e Revisão de Textos

Ingratidão e Revisão de Textos são termos que caminham juntos. Autores, principalmente no Brasil, onde há a cultura de redenção ao outro, onde há um se desconhecer em nível nacional e individual, inclusive; se esquecem de suas próprias “responsabilidades textuais” (especialmente em relação a textos acadêmicos). Entregam-se, perdida e ilegalmente, ao outro, como se fosse deste a responsabilidade individual.
O Revisor de Texto está no inconsciente do brasileiro como um messias, um redentor, salvador, e até um criminoso. Aquele que livrará os textos de todos os erros, e “salvará a pátria”. E isso ocorre em virtude de falta de (auto)conhecimento do brasileiro e de sua cultura de ordem piadística que despreza o estudo e a educação; educação precária.
Por essa razão, constante e equivocadamente, o Revisor de Textos é compreendido como autor, aquele que desenvolverá o trabalho e com quem se pode acordar de tudo, inclusive, falsidade ideológica: escrita de dissertações, teses, artigos científicos. Também, constantemente, atribuem a ele todas as falhas de redação do autor. Se é um sucesso a publicação, ele não é citado; se há falhas, a culpa é dele.
Compartilho com vocês, a seguir, caso clássico em que pesquisadores/autores, que desconhecem a diferença entre conferência de normas (“formatação“) e Revisão de Textos, atribuem ao Revisor todas as frustrações em relação a processo de interação com orientadores e com a banca. Nesse caso, imaginem um texto (muito mal escrito e organizado) com mais de 200 páginas, em que foram realizadas mais de 40 alterações por página em nível gramatical, além das alterações de layout de página, conferência de citações (muitas), totalizando mais de 8 mil alterações (por parte do Revisor). O autor, nesse caso, está satisfeito com as alterações, mas reclama que deveria ter sido feito mais, ou seja, revela, perversamente, ingratidão.
Considere, também, que tudo o que foi exposto neste post, além de ser reflexo do que digo em meu site sobre Revisão de Textos, também, é explicado aos autores anteriormente ao processo de contratação de meus serviços. O que me faz pensar, apenas, que, talvez, não haja falta de compreensão sobre o meu ofício por parte de alguns, mas manifestação da cultura da barganha, de um deslegitimar o outro, perversamente, em busca de uma massagem ao ego ou mesmo mal caratismo (um manifestar da cultura da esperteza que foge, resiste e luta bastante contra o pensamento científico, contra o estudo ou qualquer outra forma de evolução).

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Bom dia, “nome do cliente”!
Não posso reduzir o custo do serviço, e não (re)negocio valores após finalização do meu trabalho. Inclusive, porque eu verifiquei o seu texto mais de uma vez. Há um consenso em minha área em relação a segunda ou terceira Revisão de Texto. Conforme esclareci a você e esclareço em meu site, eu não ofereço resultados absolutos. E eu não cometi mais erros no seu texto do que este já tinha. A banca trouxe contribuições ao seu texto (nunca fui a uma defesa em que a banca não trouxesse contribuições aos clientes). E o que você fez (mais alterações no texto), em relação às solicitações da banca, é o seu próprio papel como autor. Você não teve de refazer algo que eu fiz, mas algo que você fez (ou não, afinal, o texto é seu). E o que eu fiz tem o seu devido valor, e eu dou esse valor (e a nossa negociação em relação a isso ocorreu anteriormente à banca, e eu deixei bastante esclarecido a você como trabalho, como penso e como é o meu ofício. E está tudo registrado por aqui e pelo Whatsapp). A questão é que você, talvez, pense, agora, o meu ofício como uma redenção, uma salvação e postura messiânica, equivocadamente, e eu confesso que acho estranha essa postura porque você me parece uma pessoa bem esclarecida. Eu não trabalho assim. Esclareci isso a você e está tudo muito claro, também, em meus sites e no meu próprio canal no Youtube.
O fato de você e o seu orientador terem, ainda, feito muitas alterações no texto revela a qualidade do texto que você enviou. E, no caso de formatação, eu não “formato” o trabalho para o cliente. Isso é ILEGAL. Eu faço uma conferência de normas como lhe disse. É trabalho do pesquisador desenvolver o trabalho. E, às vezes, há tanta poluição no texto, e eu tenho de me preocupar com tantas questões que algumas coisas, naturalmente, não passam pela minha percepção, e isso é extremamente normal, especialmente quando o trabalho é mal feito ou tem muitos problemas. Isso não diminuiu o meu trabalho, o valor dele ou as contribuições que eu trouxe (e foram muitas, em todos os níveis). Além da atenção que lhe dei por aqui e pelo Whatsapp.
Eu, praticamente, reescrevi o seu texto inteiro. Bem como alterei toda a estrutura visual de layout do texto no Word (páginas, parágrafos, espaçamentos, conferi citações, referências). E o meu trabalho se refere a isso, no tempo em que acordamos (contribuições). As mais de 100 citações retiradas do texto, que não constavam na referência, se referem a um equívoco seu, e não meu (eu verifiquei essas questões durante a revisão, sim. Mas o meu olhar não é biônico. Se você pede “revisão do valor” por essa razão, você desprestigia o meu serviço, sim).
Sugiro que você leia os seguintes arquivos que escrevi (eu sou perito em minha própria área), e eu sei do que falo, desenvolvo pesquisa na área de Revisão. Autores se doem em relação ao processo de revisão e atribuem a responsabilidade do texto ao Revisor. Como eu lhe disse, eu trouxe contribuições ao texto, foram muitas e eu sei o valor que elas têm:
https://criteriorevisao.com.br/erro-de-revisao-de-texto/
https://andersonhander.wordpress.com/tag/primeira-e-segunda-revisao-de-texto/
Inclusive, para segunda ou terceira revisão de texto, há um custo. Quando vi a sua mensagem, entendi que você pediu que eu enviasse um novo boleto a você para uma outra revisão. O que eu posso fazer é, simplesmente, verificar, gentilmente, mais uma vez, o material e fazer uma nova leitura de seu texto.
Se você não compreende o que eu disse, e não consegue se desapegar de seu ego, eu lamento. E encerro por aqui a nossa interação (se você compreende, esteja à vontade para enviar o texto para mais um olhar, que é gratuito, eu não cobrei por ele e, portanto, caso você não queira, ou caso tenha feito qualquer alteração no texto após a banca, como já disse, e reitero, isso não diminui o valor que acordei). Não é você ou um leigo em minha área que diz o que é Revisão ou quanto deve custar, ou como deve ser feita. É cultural do brasileiro ter esse pensamento de redenção, de acreditar em salvação. Eu nunca anunciei o meu serviço dessa maneira. E há aqueles que, infelizmente, querem se aproveitar de outras pessoas, e travam uma luta de poder infinda sem razão alguma. Isso é perverso. Ainda mais depois que você considera uma falha em relação ao seu próprio texto (essa falha é sua!). Além de você desprestigiar o meu trabalho, você é ingrato como ser humano (pouquíssimas pessoas fariam o que eu fiz. E eu mesmo fiz tudo sozinho, e sei o devido valor que isso tem. O valor integral que eu cobrei, sem retirada de nenhum centavo).
Se o seu orientador foi mal educado com você, se a banca foi deselegante, você deveria compreender que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, e não acreditar que deve “descontar” em mim a sua frustração. Deve, acredito, ser grato pelo que fiz a você (e olha que cobro preço baixo, pois, no mercado, o custo para revisão é de 30,00 reais por lauda) e compreender que, se houve desavença entre você e o seu orientador, ou se a banca foi deselegante, isso é um problema deles; você nem deveria se importar, afinal, você deve saber muito bem que isso tudo é um processo muito doloroso e que é mais do que natural e humano passar por isso. Mas você escolhe seguir em frente frustrado, rancoroso ou mesmo buscando um “culpado” para isso. Eu tenho a minha consciência mais do que limpa em relação a tudo o que fiz. E bastante clareza para entender, também, que não lhe ofereci redenção alguma, que, também, não sou responsável pela sua frustração.
Não me peça para “dar uma olhadinha” e comparar o que você fez com o que eu fiz. Não, não. O seu papel é de autor, o meu é outro. Se quiser tratar de números, 100 citações (que foram retiradas do texto por não constarem nas referências; e os manuais de formatação: ABNT, APA etc. nem versam sobre isso, porque isso é óbvio e é responsabilidade do autor) não se aproximam ao meu quase esgotamento mental e visual em relação ao seu texto (mais de 8 mil alterações)). Não porque me considero culpado ou esteja atenuando o meu discurso ou lhe dando explicações “gratuitas”, muito pelo contrário, mas por reconhecer a fragilidade do brasileiro e a cultura deste, por saber dessa cultura da barganha que retoma o latino, o árabe, e não por concordar, mas por, simplesmente, compreendê-la; um deslegitimar o outro, perversamente, em busca de uma massagem ao ego ou mesmo mal caratismo (um manifestar da cultura da esperteza que foge, resiste e luta bastante contra o pensamento científico, contra o estudo ou qualquer outra forma de evolução que seja um pouco dolorosa e tire o sujeito de seu reduto de conformismo e mediocridade).
Saudações.

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